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ÁFRICA

16/12/2009 - 01:28
Primeiras impressões da I Confecom

 

MATÉRIAS

16/12/2009 - 18:24
Sociedade civil versus Empresários
Propostas de democratização da comunicação estão sendo barradas

 

Hoje (16), é o terceiro dia da primeira Conferência Nacional de Comunicação, e os debates e confrontos da sociedade civil, sociedade civil empresarial e poder público continuam fervendo. A sociedade civil tem se empenhado para aprovar as propostas que contemplem o segmento, no que tange o controle social e a democratização da comunicação, com destaque para a garantia de direitos para as rádios comunitárias e para o enfrentamento do racismo nos meios de comunicação.Na tarde de ontem (15), foram realizados os Grupos de Trabalhos, no total de 15. Neles, diversas pessoas que compõem a Articulação Enegrecer a Confecom se dividiram nos grupos, com o intuito de pautar, defender e aprovar as propostas elaboradas por eles, no âmbito da questão étnico-racial e de gênero.

Nesse sentido, uma das principais propostas da articulação, a criação de uma política nacional de comunicação de enfrentamento do racismo e pela democratização da mídia, criando um observatório nacional para o desenvolvimento de estudos sobre mídias e racismo,foi aprovada sem qualquer destaque dos outros setores (poder público e empresarial), ou seja, não houve questionamento contrário à proposta.

Essa vitória foi e é fruto da luta, da pressão e da resistência do movimento negro e de mulheres que estão presentes na Conferência, pautando os interesses de seu povo e da sua militância, que é a reivindicação de uma comunicação democrática e que contemple a diversidade étnico-racial, cultural e de gênero.

Presente no GT 14, no qual foi aprovada a proposta da política de enfrentamento ao racismo, o jornalista e diretor de comunicação do Instituto Mídia Étnica André Santana, compreendeu que foi uma avanço a aprovação unânime da proposta, contudo destaca que isso é apenas um passo da vitória da sociedade civil contra a sociedade civil empresarial. "É necessária a presença atuante dos movimentos sociais para a aprovação de nossas propostas, porque os empresários da comunicação têm demonstrado, nesta conferência a falta de vontade em avançar as políticas de democratização e efetivação da cidadania nos meios de comunicação", avalia. Como exemplo, o jornalista fala da dificuldade em aprovar questões relacionadas à gênero, raça e acessibilidade. "Até mesmo uma proposta de sinalização e acessibilidade nas vias públicas foi rejeitada pelos empresários do GT 14. Um absurdo".  

Agora, durante à noite, acontecerá a Plenária Final (Turno I), na qual, as propostas que obtiveram discenso  nos grupos de trabalho passarão por sistema de aprovação dos delegados (as) de todos os três segmentos. São 150 propostas a serem debatidas no final desta noite e durante o dia de amanhã (17), é nesse momento que a Articulação Enegrecer a Confecom e toda os delegados da sociedade civil devem se unificar para aprovar todas as suas propostas que foram barradas pelos delegados da sociedade civil e o poder público e desaprovar todas as propostas que beneficiam a monopólio dos grandes empresários dos meios de comunicação.

As entidades envolvidas nesse processo e integrantes da Articulação Enegrecer a Confecom são: Comissões de Jornalistas pela Igualdade Racial e Núcleo de Jornalistas Afrodescendentes dos estados RS, SP, RJ, BA, DF, AL e PR; Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço); Coletivo de Entidades Negras (CEN); CMA HipHop; Geledés – Instituto da Mulher Negra; Griô Produções; Movimento Negro Unificado (MNU); União de Negros pela Igualdade; Fórum de Religiões de Matriz Africana; Associação Cultural Marcus Garvey; Intervozes; Liberta – Rede de Mulheres em Comunicação; Associação dos Comunicadores Sociais do Pará; Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB); Agência Afro-Latina e Euro-americana de Informação (Alai); Instituto Mídia Étnica; Centro de Estudo de Trabalho e Desigualdade (Ceert); Educafro; Central Única das Favelas (Cufa) e Novos rumos – Jornalistas em movimento.


Fonte: Redação: direto de Brasília - Juliana Dias


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