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Um painel da ONU investigando o Massacre de centenas de pessoas ocorrido em setembro de 2009, na Republica da Guine, país localizado no extremo leste do Continente Africano chegou a conclusão que tanto o governo militar como os seus adjuntos deveriam ser encaminhados a Corte Criminal Internacional.
Segundo o painel, mais de 150 pessoas morreram e ou estão desaparecidas e outras 109 mulheres foram brutalmente estupradas. O relatório de mais de 60 paginas mostra detalhadamente a brutalidade dos soldados contra os cidadãos que faziam parte de um protesto pacífico num estádio de futebol na capital Conacri.
Soldados da Guarda Presidencial invadiram o estádio e atiraram a queima roupa em varias pessoas que estavam ali numa atmosfera festiva dançando e ao mesmo tempo rezando.
Segundo o relatório, apos ficarem sem munição, os soldados começaram a atacar os civis com punhais, baionetas e ate mesmo com catapultas. A multidão dispersou-se e aqueles que pararam para ajudar foram mortos, as mulheres eram um alvo em particular. Uma das vitimas foi estuprada com um fuzil e depois morta. Uma outra vitima teve seu pescoço decepado apos tirar o véu de seu rosto.
Ainda segundo o relatório, estes ataques foram disseminados sistematicamente, o que segundo a ONU caracteriza prova suficiente para que os militares e seus subordinados sejam julgados por crime contra a humanidade.
O tenente Diakite declarou ao Painel que foi ao estádio para certificar-se que os lideres oposicionistas estivessem protegidos. Ele afirmou também que não viu nenhuma violência e que "jamais alguém pensaria em tocar ou molestar alguma mulher". Entretanto, uma testemunha disse ter ouvido o tenente dizer no estádio: "Ninguém sai daqui vivo. Eles pensam que isto aqui é uma democracia".
O protesto era contra o golpe de militar executado pelo senhor Camara, um capitão militar que tomou o poder em dezembro de 2008 após a morte do longínquo ditador Lousana Conte. A situação na Republica da Guinea piorou mais ainda quando o Capitão Camara levou um tiro na cabeça e foi levado a um hospital em Marrocos para tratamento medico. O tenente Diakite admitiu o disparo afirmando que ele estava com medo de ser acusado pelo massacre e os estupros.
Depois do massacre, autoridades locais destruíram evidencias importantes, limparam o estádio e ainda negaram ajuda médica as vitimas. Alteraram também os registros médicos e ameaçaram testemunhas que resolvessem falar.
Segundo o atual secretario da ONU, o senhor Ban Ki-moon, o governo da Republica da Guiné Conacri tem a responsabilidade de proteger as vitimas e as testemunhas. Este painel é composto pelos senhores: Mohammed Bedjaoui, ex- Ministro das Relacoes Exteriores e ex- presidente do Supremo Tribunal de Justica da Argélia, Francoise N. kayiramirwa, Ministro dos Direitos Humanos em Burundi e pela senhora Pramila Patten, advogada especialista nos Direitos da mulher em Mauritânia.
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Fonte: Estados Unidos - Edson Cadette
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